Pescar em casa

Porque as pessoas são assim?? Que valores a gente cultivou no nosso senso comum para as coisas serem desse jeito??

2020.10.01 19:03 marciliwu Porque as pessoas são assim?? Que valores a gente cultivou no nosso senso comum para as coisas serem desse jeito??

Po mano estou indignado, ontem saí pra comprar cerveja no posto que fica em frente ao meu ap, ae me deparo com 5 meninas sem máscara na portaria, vestidas como se fossem pra algum tipo de fuá, okey...
Não sou de usar celular né, porque só passo raiva, mas não consigo evitar ficar curiando, até porque é uma das minhas ferramentas de trabalho então to usando todo dia... Então abro a porra do celular, vou curiar o status do povo, ae 90% das pessoas que conheço estão postando fotos e vídeos em aglomerações, em lugares que antes da quarentena nem tinha tanto movimento ( aqueles video bem brejeira cantando sertanejo com um microfone invisível )
Ok
Aí eu passo o storie e a mina posta uma foto grudada com um cara ( também sem máscara ) e a legenda "esses desconhecidos que a gente encontra coraçãozinho coraçãozinho" aí foi o limite, porra meu irmão vai se fuder, eu não tenho nada ver com a vida dessa mina ela deve se relacionar com quem ela quiser, mas no meio de uma pandemia a pessoa posta uma coisa dessa mano, eu fico 🤯 e o pior é que a maioria dessa galera ainda mora com os pais ou avós ( tenho 18 ). Vei quando que ser sem noção virou moda, crlh é todo mundo bx, às vezes eu tenho a sensação que só eu to cumprindo a quarentena, eu só saio pra pescar e fumar maconha no meio do mato mesmo, olha que nem moro com pessoas que estão no grupo de risco. ( nem citei o tanto de grupo que me colocaram com gente combinando de ir pra festa, até a galera das rave tá na ativa, acho que se eu fosse pra um forrózin do megatron nesses tempos eu teria uma das piores bad trips da minha vida, não vejo motivo para festejar real, prefiro ficar na minha. )
E também outra coisa, qual a necessidade de ficar saindo pra festa agora, é um ambiente muito tóxico, um querendo ser melhor que o outro, briga, MUITO gasto ( nem citei o perigo de contrair um vírus e colaborar pra que essa porra não acabe nunca ).
Eu realmente não consigo entender a cabeça do brasileiro fodase, sei que não é só o brasileiro, é um comportamento humano, mas é porque parece que aqui ninguém se conscientiza, tudo é piada, até quando tem gente morrendo o povo não abre mão de seus hábitos ( privilégios ) para um bem maior, vsfd.
Não me entendam errado, não tenho nada contra quem sai pra um restaurante vazio, é difícil ficar preso em casa para algumas pessoas, principalmente quem mora com parentes tóxicos, eu estou criticando as pessoas que vão pras festas, e acho que o maior motivo de minha indignação é o fato de que essas festas lotam.
Fico puto mesmo, porquê é a maioria que pensa assim, e se você conversa com um sobre, a pessoa se faz de doida aí 1 semana depois você vê ela postando storie em festa.
Assim a gente nunca vai sair dessa merda poha, bando de idiota, são idiotas mesmo!! Como que a pessoa consegue curtir sabendo que pode ter causado a morte de terceiros, é asqueroso esse comportamento, e repito, A MAIORIA SE COMPORTA ASSIM!!
Eu fico puto foudaci.
( desculpem a quantidade de palavrões, me sinto mal, queria expressar minha raiva para ver se passava um pouco rs )
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2020.09.10 15:46 henrylore Najiyu Ep 1 - A cachoeira

*Cenário todo pegando fogo
*cenário todo destruido
*explode um pedaço de um castelo ¿¿¹(pessoa de olhos vermelhos): acabou. eu destruí o líder em alguns segundos.
¿¿²(uma moça de cabelo rosa): você nem sabe o que você pode causar se fizer isso! VOCÊ NÃO PODE DESTRUIR TUDO
¿¿¹: é uma pena que todos vocês só conseguem dizer isso...
¿¿²: eu não vou deixar! *puxa espada ¿¿¹: *ataca rapidamente e acerta com a espada na ¿¿² é uma pena né... que nem esses poderes sagrados que você tem... são suficientes pra parar uma guerra ¿¿³(um velho com uma manta e um tridente): VOCE NÃO VAI CONSEGUIR *corre em direção ao ¿¿¹
**explode tudo
**você consegue ver uma criança caída no chão dentro do castelo em um lugar mais no cantinho dos escombros depois de tudo destruído
**da zoom na testa da criança e você consegue ver uma espiral
*muda pra um tempo depois e tudo volta ao normal
**numa casa
[o cenário é um quarto, com uma cama e uma mesa de cabeceira]
**debaixo do cobertor:
*sai uma cauda (de raposa)
??: *levanta e sai da cama (você consegue ver o símbolo na testa dele tbm)
hmmmmm
*abre a porta e sai do quarto
tem alguém aí?
**literalmente ninguém responde
*vai na cozinha
DOKE!
Doke?
Dooookeee....
...
Doke?
é, ele sumiu
*sobe na mesa possibilitando nossos queridos espectadores de ver o character design do nosso querido Henry
Henry
Idade: 12 anos (vai fazer 13) Altura: 1,59 Cabelo: loiro e cacheado Coisas adicionais: ele é uma raposa mas ele mesmo não …
Do: Henry? acordastes
H: *corre em direção ao doke
SIM!
como vc ta, conseguiu o telescópio q vc queria?
Do: nah, ainda não
H: mas já se fazem alguns meses...
Do: você sabe, não é todo dia que se vendem telescópios por ai
H: mas e a chuva de meteoros daqui a uma semana?
*faz carinha de choro :(
Do: relaxa a gente vai conseguir *abraça o henry
H: ... ei doke, já faz um tempo que eu quero te perguntar isso....
olha, eu nunca vi bodinhos andando com duas orelhas laranja e uma cauda laranja... então?
Do: você é um bode diferenciado
H: igual você que tem um chifre enorme?
Do: ainda bem que você não é um peixe, porque se fosse um, eu já teria pescado-
H: '-'
fiquei com medo
Do: imaginei. enfim, eu vou pescar
H: tabom, vê se não traz um baiacu dessa vez
Do: vou trazer dois, serve?
H:
*sobe na mesa possibilitando nossos queridos espectadores de ver o character design do nosso querido Henry
H: VE SE NAO DEMORA TA BOM?
Do: PODE DEIXAR...
H: ainda me da calafrios de pensar de onde eu vim...
**cai um livro de capa azul lá da estante
H: ... as pesquisas do doke... H: *abre o livro
Raposas são vistas normalmente na parte mais floresta de Naji, normalmente encontradas nas partes mas frias, e nas partes mais quentes no inverno.
Raposas são reconhecidas em Naji pela sua capacidade de controlar o fogo e de sua velocidade.
Raposas se adequam a novas experiências muito rápido
Raposas costumam ser mais sensíveis na cauda, tornando-a um alvo dos inimigos quando se trata de derrotar uma raposa.
Raposas da neve costumam ser brancas por se adaptarem a se camuflar na neve
Raposas da neve se adequam melhor a climas mais frios, e costumam ser mais experientes em áreas de caça.
Raposas vermelhas Possuem coloração laranja na cauda e nas orelhas E podem estar em qualquer região, menos a de calor extremo H: *olha pra própria cauda
^
e preferem ambientes mais aconchegantes
H: *tem um flashback do passado
{DOKE EU NAO VOU DORMIR SEM COBERTA!!}
to começando a perceber um padrão aqui...
^
Têm dificuldade de controlar mais de 1 elemento
H: *olha pro proprio dedo
eu quero... FOGO!
.
.
.
FOGO!
.
.
.
...fogo?
é, ninguém me ensinou isso afinal né...
vamo continuar
^
Raposas do deserto ou Feneco
**ouve a porta
Do: tô em casa
H: !!!!!!!! *fecha os olhos e aponta o braço na direção do livro *teleporta o livro pra estante *da um sorrisinho
*sai correndo
Do: tá em casa??? ah oi Henry
H: oi Doke tudo bom quanto tempo
Do: eu tô morrendo de cansaço...
H: mas são 12h...
Do: você fica cansado todas as 23h e 6 minutos do dia, Henry
H: não se compare comigo.
Do: você parece assustado, o que houve?
H: ... eu tava conversando com os coelhos ontem... e... já ouviu falar de raposas?
elas parecem bem parecidas comigo pelo oq falaram
Do: parecem bem parecidas é o auge do que tu ja me falou...
hmmmmm....
não, elas não tem nada a ver com você
H: MAS EU TENHO CERTEZA QUE-
Do: vamo lá Henry voce deve tá com fome, pega alguma coisa na cozinha e vai comer.
H: doke, EU sei que eu sou uma.
Do: *olha pro livro e ve ele meio caído Você olhou minhas coisas né?
H: sim.
Do: hmph...
H: *vira pro lado e pega o livro da estante
Do: *lendo
eai, o que vai fazer com essa informação?
é Henry você é uma raposa.
H: o que aconteceu com a minha família
Do: eu ainda não posso te contar *joga o livro no chao
o reino não deixa-
H: dês de quando a gente tem um reino?
vocês nunca me contaram nada mano
Do: Henry, isso é coisa de 10 anos atrás, você não vai querer sbar
H: QUANDO EU TINHA 2 ANOS?
Doke, a minha infância foi só apagada e eu não posso saber de nada....
Do: sua infância foi comigo, e você deve lembrar disso
H: E ANTES DISSO?
eu não vejo duas cabras parirem uma raposa
você nem lembra quando eu nasci né?
Daqui a 2 semanas é meu aniversário, você lembra? Do: ... ffff Henry o importante é que somos felizes ago-
H: é tudo sempre a mesma coisa eu queria sair e fazer aventuras mas você sempre fala que se eu me distanciar eu posso ser sequestrado ou sei lá eu sou um fugitivo por acaso? *sai pela porta da cozinha
Do: ...
[eles moram no topo de uma cachoeira, inclusive]
H: *na ponta da cachoeira pensando
...
*pega um ukulele de um lugar ali perto
Dó Ré Mi Fa...
Do: HENRY
H: que foi agora
Do: você ainda quer conversar sobre...
raposas?
H: não, quero conversar sobre o que houve 10 anos atrás
Do: Henry SE VOCÊ FUGIR TUDO VAI-
H: TUDO VAI? ? ? ? ? ? ?---
uh-
*escorrega da pedra e cai da cachoeira de 1km de altura
Do: HENRY
...
H: AAAAAAAAAAA
**
H: .........
*levanta
aaaah
??: *olhando pra ele
Ih ala, macaco novo na área...
H: AAAH
quem é tu
??: quem é tu né eu so te vi caindo igual a maçã na cabeça do isaac newton e tu vem me perguntar quem sou eu?
H: é o que?
L: vai, levanta dai da agua que ficar com a bunda molhada em pleno inverno não vai ser muito legal. Meu nome é Lusk. mas pode me chamar de...
*faz umas pose mt aleatória
LUSK!
H: .-. ok confesso que estou indeciso sobre qual dos dois te chamar
L: HÁ AGORA QUE NAO TEM DUVIDAS SOBRE QUEM EU SOU.... quem é você
H: meu nome é henry, eu caí porque eu tropecei e eu venho de uma família de cabras
L: hmmmmm. *coloca a mão no queixo em posição de análise
olha eu não sou nenhum profissional em biologia mas... suas orelhas e cauda não condizem com as de uma cabra...
H: valeu aí médico do SUS
L: nada
mas aí não seja por isso, venha conhecer a vila a menos que queira ficar andando na cachoeira até a conta de agua da terra chegar
---um tempo depois---
**os 2 andando na vila
L: então quer dizer que você é uma raposa?
H: uhum
L: e você caiu do ceu?
H: uhum
L: e você...
H: sim.
L: ok. tendo em vista tudo isso eu vou me apresentar
EU SOU LUSK O GRANDE
**passa uma bola de feno
H: ah sim....
L: MAS EU NÃO TE MOSTREI A MELHOR PARTE
*junta as mãos e levanta uma grande ventania pra cima do henry
H: *coloca a mão na cara
é assim que vocês cumprimentam as pessoas por aqui?
L: na maioria das vezes
H: entendi
**corta pros 2 andando pela vila
L: olha só eu tenho que dizer pra você tomar cuidado quando anda comigo, muitas pessoas me conhecem e eu sou muito famoso ok? **os 2 tão passando numa vendinha
L: OLA MEUS FÃS
Mta gnt: FÃ O CACETE! OU SAI DAI! PARA DE GRITAR EU QUERO DORMIR!
H: realmente eles te amam
L: viu? *cai um tomate na cabeça do henry
Pessoa que jogou: *fecha a janela
L: EI NÃO ENCHE OU EU ARRANCO A SUA CARA FORA!
caham, onde a gente tava? falando nisso? Tu é uma raposa?
H: uuuh, sim?
L: ah legal, é que eu nunca vi raposas por aqui
H: e você já viu raposas?
L: quando eu morava no reino e não aqui na vila
H: hmmm, e como é lá
L: olha, cara, confia em mim, é melhor a gnt não conversar sobre aqui.
H: ?
L: depois te conto. ENFIM, não é todo dia que se cai de uma cachoeira, conta mais sobre a sua cara H: ele parece nunca ter visto um ser humano antes Hmmmmmmm... eu... eu tava conversando com o Doke
L: e quem é o brother
H: ele é tipo meu pai só que não é meu pai saca
L: Não.
mas enfim pelo visto você me entende bem
mas e agora, o que pretende fazer agora que caiu aqui em baixo?
H: ... eu acabei de acordar então eu tô com fome
L: COMO ASSIM VOCE ACORDA 17H MANÉ
H: ue *vira a cabeça e olha pro lusk
L: VOCE DORME MAIS QUE UM HOMEM ANIMADOR DE FÉRIAS
CACETES
mas confesso que não comi nada até agora também...
*bota a mão no bolso e puxa umas moedas
mas eu acho que dá pra comprsr um ramen pra você
H: seriao? não precisa cara
L: mas eu quero.
H: ah então eu não posso fazer nada
então onde q a gnr compra
L: na loja do seu Imura claro
H: Imura?
L: ele é um cara elegante, relaxe
H: :0
**um tempo depois
L: *abre a porta do lugar
(o cenário é um lugar pequeninho onde tem um teto transparente com folhas por cima [o tamanho é tipo do ichiraku mas maior])
*da um socão na mesa
AE TIO O QUE TEMOS PRA HOJE
**vem do além um hashi voador
L: *segura ele com os dedos
??: *poe uma tigela na mesa
E O QHE TEMOS PRA HOJE
L: TIO IMURAAAAAA
Im: Olá.
o que comerás hoje caro MENINO!
L: uuuh o de sempre mas não vou ser eu quem vou comer
eu trouxe um cara
H: oi
Im: ... MENINO! OLA PRAZER
*aperta a mão do Henry
H: uuuh
Im: SEJA MUITO BEM VINDO AO IMURA CAFÉ ONDE VOXE PODE COMPRAR QUALQUER COISQ QUE QUEIRA COMER
L: até pedra
Im: XIM MENINO!
*olha direito pro henry
...
Uma rapoja por aqui... estranho... onde é que o luxk axou exe menino...?
TOME
*coloca ramen na mesa e da os hashis pro Henry
H: valeu, velhote
Im: Ei Luxk precisamos convexar
L: *desce da cadeira e vai pra trás do balcão
*vai lá pra trás
H: *consegue ouvir um pouco abafado
Im: voxe nao xoube que o guarda real malhuco vira hoje?
L: guarda?
Im: nós xomos rivais então elex prometeram mandar uma menxagem hoje..
E XE VIREM UMA RAPOJA O QUE FARAO?
L: tem razão velhote
H: ...
*mini flashback
Do: Henry o reino ele pode ser muito perigoso para raposas nós não podemos nos arriscar assim...
...
L: voltei Henry
H: terminei de comer, muito obrigado cara
L: *barriga ronca
*da o dinheiro pro cara
Im: ... o que voxe vai querer?
L: mas eu não tenho mais dinheiro
Im: o do MENINO é de graxa voxe é o único que paga aqui
L: OOOOOOOO
**um tempo depois um pouco de noite
L: estou cheio cara
H: to vendo
L: mas nós temos que conversar mano
H: hm?
L: acontece que um cara sinistro vai aparecer aí daqui a pouco então nós temos que...
*lembra doq o Imura disse
Im: eu irei abrigar vocês. então venham para cá amanha
L: nos refugiaremos na casa do Imura
H: tranquilo então
L: espero sair vivo dessa...
H: mas aí você não me mostrou sua casa você tem casa não é?
L: Nao, EU sou um mendigo.
H: que bosta hein
L: É OBVIO Q EU TENHO CASA MANE
H: la você me explica direito tudo
**chegando na casa do lusk
[é uma quitinete meio desarrumada com um banheiro e um sofá e uma mesa]
L: *mexe debaixo do sofá e pega um mapa enrolado
*vai em direção a mesa e estende ele lá
aqui é o reino de Valdehalle
*aponta um pouco do lado
aqui é Heartville, onde a gente tá
H: e essa neblina aqui?
L: sei lá eles chamam isso aí de reino da neblina oculta
dizem que são uns caras que vão contra o reino
H: ...
L: vai entender né
H: *levanta
a gente tem que acordar cedo amanhã pra poder ir pra casa do Imura se der tudo certo a gente sai dessa tranquilo
L: o que vc planeja fazer você só caiu aqui você não consegue voltar?
H: eu caí aqui em busca de informações sobre mim mesmo
e pra descobrir coisas que meu pai não pôde me contar
L: ...
H: vai que a gente muda algo né?
L: *da um leve sorrindo
olha, amanhã eu irei te acordar SE VOCÊ NAO ACORDAR EU TE CHUTAREI
H: tá bom pedro cara feia
**no dia seguinte
.. L: ACORDA MARILENE QUEM GANHA DINHEIRO NA CAMA É
H: ja acordei... o que você ia falar
L: hm? testador de colchão claro todo mundo sabe que quem ganha dinheiro na cama é testador de colchão
H: ah sim...
L: *pega o mapa
VENHA
**os 2 saem na direção do Imura Café
L: *ve os moradores com armas andando por aí
..... hoje não é um dia bom
H: ....
**vão andando na espreita
H: pq a gnt tá se escondendo
L: pq se nos virem vão mandar a gente ficar com alguém que a gente nao quer então trate de se esconder
H: *entram num beco
??¹: *vê cauda do Henry
*vai em direção ao beco e olha
hmph, deve ter sido impressão
H e L: *chegam no Imura Café
H: *bate na porta
Im: MENINOS! Ah que bom que extao aqui
entreis
**os 2 entram
**ouvem algo explodindo
Im: elex ja devem ter chegado
oh não
H: isso é um problema
L: ugh
H e L: *se escondem na cozinha
??²(um guarda aleatório do reino): PROCUREM EM TODAS AS CASAS eles devem estar por aqui
eles não pagaram o que deviam
e tem uma raposa aqui você diz?
??³: é-é sim senhor!
....
??²: hmph...
PROCUREM EM TODAS AS CASAS!
H: °°
??⁴: *bate na porta da casa do Imura
TRM ALGUÉM AÍ
SE TIVE DIGA AGORA!
Im: .... isso é um problema
??⁴: ABRA EU SEI QUE TEM ALGUÉM AÍ
*bate mais forte
Im: me dexculpe meninos já volto
uuh sim?
??⁴: TENS UMA RAPOSA AI QUE EU SEI
Im: nao tem nada aqui
??⁴: EU ESTOU SENTINDO MANA E NÃO É A SUA
Im: uuh relaxa, não faz sentido querer procurar num restaurante
EU SO ESTAVA AQUI QUANDO COMECOU ESSA INVASÃO
H: voce notou isso?
L: o que
H: o Imura nao tá falando errado...
L: isso é alarmante...
??⁴: *quebra a porta do restaurante
me mostre.
Im: me desculpem
*junta as mãos
*levanta umas pedras do chão
??⁴: *defende com as mãos
... me deixe passar
*explode tudo
H e L: °°
*se escondem um em cada armário do restaurante
??⁴: não devem estar aqui
DEVEM ESTAR AQUI PERTO PROCUREM!
L: vem, Henry temos QUE-
*congela na saída
....
H: o que fo-
L: i-i
**veem Imura no chão e tudo destruído
L: ........
H: ah não...
....
continua no próximo episódio :D ep 2 Rivais de Reinos diferentes, o mais forte prevalece...
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2020.09.07 13:55 HairlessButtcrack Sem Abrigo

Eu cada vez mais já antes da pandemia via mais e mais sem abrigo. Agora parece que há sempre um não importa onde vou. Eu tento ajudar sempre que possível e dou comida, nunca dinheiro, mas já tenho de começar a rejeitar dar porque mal tenho para mim.
A minha pergunta é se somos um país social democrata em que rsi e ajudas etc são uma coisa... onde é que está a ajuda para os sem abrigo?
Há alguma coisa que eu lhes possa apontar para obterem ajuda? Sei que há centros de comida como o RE-FOOD mas não sei se há algo como "shelters" ou assim.
É me impossível imaginar que num país como o nosso seja possível haver sem abrigo que o sejam sem ser por vontade (para os ofendidos: leiam a frase outra vez). É óbvio que todos já fazemos pouco mas impressiona-me como é que estão a surgir mais e mais sem abrigo.
Basicamente, a minha pergunta é...
Se eu ficasse sem nada (em Lisboa) o que é que podia fazer para voltar a ter casa e emprego? QUE INSTITUIÇÕES PODIA VISITAR PARA TER AJUDA? Ajuda psicológica? E se tivesse um vício com drogas? E se estivesse obrigado a pagar pensão à minha minha ex-mulher?
EDIT: Negrito. Eu sei que ser sem abrigo não é algo simples como usar chapéu de chuva quando chove. Eu sei que cada caso é um caso mas quero compilar uma lista de recursos para poder dar a alguém que precisa da próxima vez que veja. Visto que me é impossível e futil dar comida para sempre. Dá um peixe à um pobre e ele come por um dia, ensina-lhe a pescar e ele comerá para sempre.
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2020.09.02 01:00 Buddythewild Os Pecados do meu pai

Bom ... Eu recebi algumas perguntas sobre mim e algumas delas sobre a minha relação familiar , isso me fez pensar sobre um dos familiares que mais odeio em vida. Meu pai. Resolvi dizer algumas coisas sobre este ser e ao mesmo tempo se possível, trazer uma reflexão sobre o quanto familiares podem influenciar em como somos e vamos ser.
Pra evitar que este texto tenha gatilhos eu vou tentar ser o mais breve e superficial possível nos detalhes. Vou contar uma das vezes em que tive certeza que meu pai não era um homem bom.
Eu cresci numa fazenda bem humilde do interior, e quem mora / já morou sabe que o dia começa bem cedo assim como o trabalho ainda que você seja jovem. E depois de um dia inteiro cuidando dos bichos e arrumando a produção eu entrei em casa pra me lavar pois minha mãe tinha dito que uns parentes vinham jantar com a gente, o que era raro pois morávamos bem longe da cidade.
Tudo ia bem e já estava bem escuro quando adultos se juntaram pra conversar na sala, e eu por algum motivo eu dei febre e fui me deitar mais cedo aquele dia. Acordei do nada no meio da noite ouvindo um barulho estranho vindo de um dos quartos e fui até lá pra saber o que era, eu olhei pela porta entre aberta e meu pai estava abusando da minha prima menor de idade. Nessas horas vc sempre pensa " Meu Deus eu vou contar , chamar a policia fazer um escândalo" e Deus sabe que eu quis , mas acabei dando bandeira demais e ele me viu. Eu tentei voltar pro meu quarto e fingir que estava dormindo mas ele veio atrás de mim e perguntou o que eu tinha visto. Eu disse a ele que tinha visto tudo, e que aquilo era errado e ia contar , ele me puxou pelo braço, pegou algumas varas de pescar e disse pra minha mãe que íamos dar uma volta e talvez armar uma armadilhas pra peixe.. E me levou a pé estrada à fora até uma Lagoa que ficava longe de casa.
Chegando lá tivemos uma conversa ou melhor dizendo, ele me espancou. Eu tive o braço fraturado , ele deslocou e eu rasquei o joelho até a cartilagem e depois disso me jogou na lagoa. Estava escuro, frio e eu sempre tive tassalofobia e ele sabia disso, por isso me jogou lá.
Não era tão raso e eu era pequeno além do pânico eu podia ter me afogado, mas ele não ligou. Quando voltamos pra casa ele disse pra minha mãe que eu cai no lago enquanto olhava. Ela até questionou o porquê já que eu sempre tive medo. Mas nada foi feito. Após isso tive crises de pânico e ele sempre olhava pra mim afim de saber se eu tinha contado seus segredos sujos ou se tinha os matado como ele matou minha empatia naquela noite.
Eu sempre me culpei por não ter protegido minha prima e outras crianças que eu nunca saberei o nome mas que passam pela mesma situação. E é por isso que tenho uma luta acirrada contra este tipo de coisa hoje pois acredito no ditado que diz : " tudo que o mal precisa pra prevalecer é que alguns bons homens não façam nada."
Eu resolvi falar vendo relatos sobre parentes tão ruins quanto e ainda mais pela causa, se esta passando por algo assim por favor não se cale. Eu sei que existe o medo, a ameaça e nem vou entrar na questão da nossa " maravilhosa " justiça. Mas se tem uma chance de ser livre não faça como eu fiz. Só consegui me livrar dele na morte e isso demorou muito infelizmente.. Faltou coragem pra eu fazer o que tinha que fazer..
É isso.Lamento ter ficado um pouco cumprido mas disse exatamente o que tinha que dizer. Espero ter ajudado
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2020.07.12 03:46 BFRjoaoloco Atualização da Versão X do RPG


Novas Profissões: Pescador, Carpinteiro, Contrabandista, Fazendeiro, Assaltante.
Requisitos: Nível 0 - Respeito 0 - Habilitação náutica 100% - Força Física 5+

Requisitos: Nível 20 - Respeito 0 - Habilitação terrestre: 100% - Força Física 30+

Requisitos: Nível 0 - Respeito 0 - Habilitação terrestre 100% - Força Física 10+

Requisitos: Nível 100 - Respeito 200 - Força Física 75+ - Assassinatos 40+ - Vez preso 15x - Experiencia como vendedor de armas 1 contrato - pericia aprimorada com M4 e Escopeta de combate

Requisitos: Nível 40 - Respeito 80 - Força Física 40+ - Pericia aprimorada com Pistola silenciada e Escopeta

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Profissões Alteradas: Jornalista, Caminhoneiro, Policia (civil,federal e corregedor), traficante, Mafioso, Prefeito.


Atribuições: A cidade precisa de um Prefeito para controlar os gastos públicos e administrar as receitas conforme as necessidades da população regulando os valores dos impostos, taxas e serviços, e providenciando os recursos necessário para o trabalho de nossos funcionários. Como prefeito você conseguira alterar o salario (/salarios) de uma profissão a cada 2 dias. (alterar o salario de uma profissão, diminuirá o salario de outra.)
o mesmo se aplica ao preço dos produtos da cidade (/oficina /cardapio /combustivel /clinica /armas).

O Prefeito sera eleito pelos jogadores por sistema de votação dentro do jogo.

30 dias (ingame) para registro de candidaturas a partir do 1 candidato inscrito.
30 dias (ingame) de votação.
45 dias (ingame) período de mandato.

Requisitos:
- Experiencia Necessária: 20
- Respeito Necessário: 40
- Nenhuma advertência.

*O prefeito eleito e os concorrentes derrotados não poderão participar da eleição seguinte.
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Sistema de Profissões: Pensando no melhor balanceamento, algumas profissões tiveram os seus níveis alterados.

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Novo Sistema: Compra de objetos.


*necessário ter carpinteiro online
** Caso o jogador faça uso dos objetos para atrapalhar o jogo dos outros jogadores (tipo: colocar no meio da rua) sera advertido e terá o seu objeto retirado.
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Sistemas Alterados: itens (Notebook, Celular e Vara de pesca), Pericia de armas, veículos, Experiencias de Profissão.




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Sistema de Assalto ao Banco BRZ:
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Staff de Moderação: Novos Moderadores serão selecionados para a equipe tanto nos minigames quanto no RPG.
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2020.07.09 15:30 viciado_em_FM_ "El Potro del Faro", conto de Leonardo Ritta.

El Potro del Faro
Leonardo Ritta
Os dias em Cabo Polônio passam de um jeito diferente. Não mais devagar: apenas diferente. Mesmo hoje, quando os turistas chegam com seus barulhos, seus vícios e suas virtudes, ainda se nota a paz que sempre rondou aquela ponta de terra.
Só há uma certeza em Polônio. Os 24 segundos que a luz do farol leva para fazer uma volta. A noite, estrelada em céu aberto, é uma tela em negativo, riscada por um pincel claro. O farol ainda desempenha um papel importante no vaivém dos navios que rondam aquele canto esquecido. Faz tempo, há gente que cuida dele, para que não se apague e para que mantenha as embarcações a uma distância segura. O seu papel é bonito: mostra que é preciso estar perto dele para compreender que é preciso estar longe.
A certeza do cabo passa pela certeza de que haverá quem o cuide. Quem são os faroleiros? Por que alguém romperia a lógica média de ter uma vida normal? Talvez se imagine que seja solidão. Mas tem algo mais. O mar chama algumas pessoas sem motivo. O rugido das ondas, o estalar da água nas pedras. Algo chama. E foi esse chamado que inundou a mente de Gonzalo, o velho faroleiro.
Ele sempre foi quieto. Atlético, poderia ter sido um ator, não fosse a timidez. Desde cedo, fez o que todo guri de Montevidéu faz: jogou bola. Na adolescência, se destacou como um meio campo nato, daqueles que regiam uma orquestra. No futebol platino, era muito mais um domador tocando uma tropilha de potros do que um maestro. Nascera em 1942 e lembrava vagamente da festa do Maracanazo.
Talvez essa mística tenha influenciado Gonzalo a pender para o futebol. As suas atuações na várzea não tardaram a chamar atenção de pessoas ligadas aos clubes da capital uruguaia. Foi numa manhã de sábado, num campo barreado, que um olheiro foi falar com Gonzalo. Ele jogou 90 minutos com pilchas de gala. Eduardo, o olheiro, já era tordilho e tinha olho bom para o futebol. Convenceu o rapaz a visitar as canchas de alguns clubes.
Juntos, visitaram vários. O Centenário já era um monumento ao futebol e impressionava. Mas foi num clube bem mais modesto que Gonzalo ouviu o chamado das águas. Pararam para almoçar na Cidade Velha depois de algumas visitas, quando Eduardo pediu que Gonzalo não se empolgasse muito com o clube que visitariam. Fora campeão nacional em 1927, mas já não era tão pujante. Terminadas as milanesas, fizeram a volta na Baía de Montevidéu e chegaram ao Cerro, bairro operário da capital.
Em frente ao portão do Estádio Olímpico de Montevidéu, Gonzalo sentiu algo estranho. Nenhuma epifania, nada abrupto. Mas, ao olhar para a cancha do Rampla Juniors, ele deixou de ser o Gonzalo de sempre. O estádio ficava na margem do Rio da Prata, e os anéis da arquibancada não faziam a volta completa. Jogava-se -e se torcia- com uma vista espetacular para a Baía. O meia estava decidido: jogaria ali. Não importava o salário, não importava nada.
O meia fez um teste e foi contratado. Era parte do escrete Friysis. Gonzalo se adaptou, fardou, virou titular. Recebeu ofertas para trocar de clube, mas algo fazia ele ficar: era aquele curso d’água, que assistia aos seus passes desconcertantes. De tanto ver o futebol pateado de Montevidéu, o Prata talvez já tivesse perdido as esperanças de testemunhar um jogador daquele nível. Ainda que forte e combativo, era limpo e elegante nas jogadas. Todos queriam ver Gonzalo marchar em campo com seu trote de cavalo andaluz. Não tardou a ser apelidado de el potro.
Tudo ia bem até que, no fútbol de potrero oriental, num clássico contra o Cerro, viu sua perna esquerda dobrar de uma maneira pouco usual. Um beque rival aplicou-lhe uma tesoura por trás, torcendo as pernas do meia. Hoje, saberíamos que se romperam os ligamentos. À época, ele só sabia que não jogaria mais profissionalmente.
Gonzalo não conseguiria jogar um jogo picado do campeonato nacional. O rapaz tímido, agora na casa dos vinte e poucos anos, teve sua única vocação esvaziada por uma entrada desleal. Seus pais haviam falecido poucos invernos antes, de modo que não lhe restava ninguém de amparo.
Tinha vigor para muitos anos de qualquer atividade. Menos para o futebol profissional. Em casa e sem muitas perspectivas, resolveu ir ao estádio que não encarava há meses. Das arquibancadas, mirava o rio. Pensou que deveria fazer algo que ainda o mantivesse próximo da água. Não podia nadar, não sabia pescar. Tampouco sabia navegar. Apenas ouvia aquele chamado.
Dali uns dias ou meses, ele nunca soube precisar, ouviu no rádio que estavam procurando um faroleiro novo para Cabo Polônio. Não entendia nada de faróis, tampouco sabia onde ficava o lugar. Mas foi à sede da Armada Nacional entender melhor. Era apto ao trabalho, e um total de três pessoas haviam se inscrito: ele, um idoso e um padre. Não tardou para ser avisado de que ganhara o emprego.
Depois de arrumar suas coisas, embarcou num ônibus para Rocha, capital da província onde ficava o farol e de lá, a cavalo, chegou ao povoado de pescadores. Se hoje o local parece inóspito, calcule nos anos 1960.
O antigo faroleiro precisava de um sucessor. Já não aguentava as lides diárias, que não eram muitas. Limpeza, manutenção do farol, tarefas de registro. Gonzalo daria conta tranquilamente. E mais: ficaria sozinho e próximo ao mar. Lembraria até o fim da vida a sensação de chegar próximo às pedras. Ver os leões marinhos -seus vizinhos-, sentir o cheiro do mar e ver aquele descampado. Ele sentiu a mesma coisa que sentira quando colocara os olhos pela primeira vez na cancha do Rampla Juniors. Era ali o seu lugar.
Chamou atenção um campo de futebol modesto, no gramado plano al rededor do farol. O antigo faroleiro, já com a pressa de quem quer regressar para sua casa, disse que os pescadores costumavam jogar ali às vezes. Gonzalo sentiu felicidade e pavor juntos. O futebol estava longe da sua realidade, mas logo abaixo dos seus olhos. Depois, quando subia para limpar os vidros do farol, via que era a mesma relação que os navios tinham com a luz que a construção emanava: chegavam perto para saber que deveriam ficar longe.
O farol era bonito. Caiado na base, subia alto e iluminava todo o vilarejo, indo até as pedras mais distantes no mar. A casa do faroleiro também era boa. Típica meia água uruguaia, simpática pela frugalidade. Gonzalo se adaptou rápido à rotina.
Um dia, no terraço, tomando mate aos pés do farol, viu os pescadores chegarem com uma bola. Vieram alguns marinheiros também. Enquanto um senhor barrigudo prendia fogo no parrillero, eles iam se dividindo em dois times. A bola rolaria sob os seus olhos, com o mar de testemunha.
Gonzalo assistiu a tudo lá de cima. Viu o jogo, o assado, o vinho. Era o mesmo fútbol de potrero que encontrara na capital. A cena passou a se repetir conforme o verão se aproximava. Os fins de tarde eram animados pelas partidas. Depois, juntavam tudo, davam tchau para ele e partiam.
Um dia, depois de uma semana de chuvas e de frio em pleno verão, Gonzalo acordou irritado. O barulho de gaivotas, os leões marinhos agitados, achou que estava cansado daquilo. Mateou em silêncio e viu o sol aparecer tímido pela primeira vez em dias.
Ao entardecer, mesmo com o campo encharcado, os jogadores apareceram. E pareciam estar ainda mais felizes, como que a comemorar a trégua da chuva. Jogavam descalços, de bombachas arremangadas. Alguns inclusive entravam em campo de boina. Uma confusão organizada.
Gonzalo entendeu que não tinha raiva do Farol, a quem já tinha se irmanado. Era só saudade da bola. Foi naquele dia que o seleto grupo de pescadores de Cabo Polônio conheceu El Potro del Faro. Tímido, apareceu em volta do campo, sendo cumprimentado por todos. Bartolomé, pescador de uns 30 e poucos anos que pareciam 60 de pele e 20 de energia, convidou o faroleiro para jogar. O homem que nunca havia ficado nervoso jogando partidas contra o Nacional tremeu diante de 12 pescadores destreinados.
Timidamente, arremangou as bombachas, tirou as alpargatas e entrou no time que jogava sem camisa. Há coisas na vida que não se desaprendem. Quem nasceu com a bola no corpo não perde. Gonzalo deu dois ou três passes para sentir o joelho e ganhar confiança, percebendo que estava tudo aparentemente bem.
Quando se deu por conta, estavam todos boquiabertos com o requinte das jogadas do faroleiro. Embora tivesse bom físico, nunca imaginaram que aquele homem de poucas palavras fosse um jogador daquele quilate.
Foi então, no assado depois do jogo, entre carne e copos de tannat, que Gonzalo contou sua história. Os pescadores queriam ouvir causos e saber mais sobre a vida em Montevidéu. O mais velho deles, Hernán, entre uma tragada e outra do seu palheiro, achou estranho um jogador tão bom estar naquele fim de mundo.
Gonzalo disse que a água o havia chamado. Quando soube do posto no Farol de Cabo Polônio, sabia que ali era seu lugar. Quando chegou, teve certeza. O pescador, coçando a barba amarelada pelo fumo, entendia. O campo e o mar, quando chamam, são irrecusáveis.
Assim Gonzalo passou os anos. Fez amizade com os pescadores, daquele seu jeito tímido. Jogou futebol, comeu assado, aprendeu a pescar. Cuidou do farol por quase quarenta anos. Levou uma vida monástica, sempre perto do mar. Manteve junto de si a bola, da mesma forma que aquela imensidão oceânica.
Quando a velhice o alcançou, trocou o farol pela casa de repouso em Rocha e as lides pelas memórias. O chamado das águas, que ouvira 60 anos atrás, era quase um susurro. Já há anos sem visitar Polônio, pediu aos cuidadores que arranjassem um meio de levá-lo ao Farol para uma despedida. Ele sentia que a luz do seu próprio farol se apagaria. Era como se ele estivesse vendo, da meia lua adversária, o juiz posicionar o apito entre os lábios para o silvo final.
O acesso ao vilarejo ficara mais fácil. Os 4x4 faziam a travessia em poucos minutos. Falaram com o novo faroleiro e pediram para Gonzalo passar a noite lá por uma última vez. El potro foi bem recebido por todos. Houve um grande assado, e, claro, uma partida de futebol entre pescadores, marinheiros e até alguns turistas que hoje são frequentes no povoado.
Finda a festa, já na escuridão, Gonzalo foi acomodado no seu antigo quarto, como se nunca tivesse deixado o aposento. Ficou lá, sentindo-se velho e fraco, como se aquele corpo não fosse seu. Lembrou o vigor dos tempos de Rampla Juniors, lembrou a imensidão da vida de faroleiro. Entendeu que os clarões que ele abria no campo eram iguais aos clarões que o farol abria no mar.
De madrugada, foi dar uma última olhada no campo. Aquele mesmo campo onde jogou pela maior parte da sua vida. Seu Centenário particular.
Parado, pouco depois da meia cancha parcamente desenhada, olhou para o gol, olhou para o farol e sabia que havia chegado a hora. O árbitro apitaria. E ali, esperou o farol lhe dar as costas, como que a poupá-lo desse momento triste. Naqueles segundos de escuridão -única certeza do cabo-, el potro encontrou a única certeza da vida. Ia para sua eterna noite entre cancha e mar. O velho faroleiro finalmente descalçava as chuteiras.
https://medium.com/puntero-izquierdo/el-potro-del-faro-a7bb5e87bdf1
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2020.05.25 21:48 alemaz Golpe de cartão de crédito! Fiquem ligeiros!

Esse golpe ta rolando a um tempo, a minha sogra tomou um preju de 15k a uns meses e acabaram de ligar aqui em casa, lembro de ter visto na TV falando sobre, mas é sempre bom avisar ainda mais depois de presenciar!

Você recebe uma ligação de alguém se passando por um representante do cartão de credito ou banco dizendo que foi feita uma compra estranha. Eles jogam algumas informacoes que sabem e tentam pescar outras, meu pai por exemplo comentou a bandeira de um dos cartões dele, prontamente o cara na linha informou o numero que começava o cartão, numeração padrão dos cartões acredito. Esse tipo de informacão cria um sentimento de segurança com quem liga. Logo depois eles mandam você ligar na central de cartões que esta atrás do seu cartão, mais um indicio de que é tudo verdade, mas de alguma maneira eles "penduram" sua ligação e no momento que voce liga pelo mesmo telefone que recebeu a ligação cai numa central profissional e é ai que eles coletam seus dados. Um ponto importante é que eles vão ligar algumas vezes pra aumentar a sensação de urgência, ligue por outra linha para a central de cartões, por um celular, de preferência de outra pessoa, pelo menos fizemos isso aqui em casa, para confirmar a veracidade das compras!

Fiquem ligeiros e avisem os país e tios.
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2020.04.07 02:46 readyfortheplague Quem te viu quem te vê

Mas deixa essa passar
amanhã é outro dia !
pode ser que me mate ! talvez seja dia de caçar
e um dia do caçador ! como quem te viu quem te vê
acendeu um cigarro ! virou chuva ! mas esqueceu do barro
não ! não pode ser ! faltou luz no meio da noite ! olhou pra cima e cuspiu catarro
é que a lenda é mais embaixo ! e que o mundo resolveu esconder
sem pestanejar ! prestígio ! alívio ! fumaça !
um dia do coiote ! e esse também vira caça
agora me paga o que me deve ! e traz a taça
meu amigo ! irmão ! camarada ! meu parça !
você diz não saber que é ! o que foi ou o que será
trava língua ! inveja na garganta inflamada é o que o mudo terá
vai sendo discórdia ! vai sendo guerra !
água ! ar ! fogo ! vento ! terra
nem adianta o passo ! que eu sei o que eu caço
vou ! não sumo depois da esquina ! eu fico parado no canto ! pregando laço
se o curral não tá pra peixe ! quanto menos pra boi !
meu pai foi à guerra ! foi ? não foi ?
nem eu sei te dizer ! eu nem sequer toco em fuzil !
eu sou da paz ! sou da turma do funil !
eu tô indo aqui ! pra não ter que me coalhar nesse fio
de colher cheia ! prato feito ! muito bom ter o que pescar no rio !
eu vou fundo ! pepita ! bebida ! faz parte da vida ! é roça
chega junto ! junta mais um ! lá vem sirene ! é coça !
vou dizer que nunca vi ! vou fingir na hora rir
camisa xadrez ! peão sem rédea ! grade é ruim de abrir !
pra escorregar no playground e fazer minha cria continuar rindo
eu vou ! dobro a esquina ! eu vou assobiando e indo !
mas eu sei que eu vou voltar pra um sorriso ! meu artefato
espero esse dia passando no relento cotidiano ! isso é um fato
não procuro na pedra anarquia ! eu vou pro risco na parede !
podia estar entre duas palmeiras e videiras ! curtindo minha rede
eu digo o que penso e ando como falo ! se eu digo que não sou eu não me aparo
se tem mão que segure ! tem dedo !!e a caneta fala também ! fala alto pra todo mundo sem reparo
é ligando a luz da sala ! ouvindo o vizinho gritar que a comida tá no fogo
eu sei ! se você tem dado em casa ! não precisa ser rei pra entender o jogo
me seguro no pisante ! na bermuda e na nota !
pranto ! pranto meu irmão ! isso aqui embaixo é só mais uma cota !
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2020.03.19 16:59 homendailha Coronavirus update - 19/3/2020

As travel restrictions tighten it seems like the majority of people are taking the threat of coronavirus seriously and eschewing all but essential activities. Understandably there are tourists and travellers who are upset with the situation - hopefully they will be able to contain their ire and understand that we only want the best for the health of everyone.
If you have a dry cough and a fever or are having trouble breathing you should call the Azores Health Line 808 24 60 24 and isolate yourself.
News
A third case of the virus has been confirmed. The patient is a 24 year old woman and is in a stable condition at home on Terceira Island.
Forty people are quarantined on the Island of Sao Jorge. This is due to the previously confirmed case on the island. More people will likely enter quarantine here in the coming days.
The Azores Health Line will be free to call from today. The Azores Health Line has been receiving between 700 and 800 calls daily.
SATA and Air Azores suspend all flights in the Azores. The measures will take effect at 1800h today and will last until 31st March. Cargo and medical evacuations are exempted.
Atlanticoline suspends passenger and vehicle links among the islands. Cargo and medical transports are exempt.
The Regional Government has announced financial support for businesses in the Azores. This support will attempt to minimize the consequences of this pandemic on the economy of the Region and on the maintenance of workers' jobs and income.
Sotagus bosses accuse Lisbon dockworkers of an illegal strike during a state of emergency. The "lockout" means that two boats intended for the Azores will continue to remain in port in Lisbon.
Fishing and exports of fish from the Azores falls by 80%. Azorean fishing vessels are restricted to docking and unloading only on their home islands. Azorean fishing will “be limited to fishing those species that are consumed at the regional level”, which are of “much lower” value.
Rumours
The woman who is the second confirmed case of coronavirus on Faial was taken from a flight travelling to Flores, stopping over in Faial. 30 people disembarked on Faial and returned home while 12 Florentines have been stranded on the island. They have not been placed in enforced quarantine but are self-isolating in a hotel awaiting test results. They have not been offered any financial assistance to pay for their unexpected hotel stay.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
À medida que as restrições de viagem aumentam, parece que a maioria das pessoas está levando a sério a ameaça do coronavírus e evitando todas as atividades, exceto as essenciais. Compreensivelmente, há turistas e viajantes que estão chateados com a situação - espero que eles consigam conter sua ira e entender que só queremos o melhor para a saúde de todos.
Além das histórias das notícias, também colocarei aqui as notícias que ouço no Facebook e na comunidade. Não compartilharei os nomes das pessoas que postaram essas histórias, por motivos de privacidade, mas tentarei postar apenas histórias confiáveis, confirmadas por várias fontes.
Se tiver tosse seca e febre ou tiver dificuldade em respirar, deve telefonar para a Linha de Saúde dos Açores 808 24 60 24 e isolar-se.
Notícias
Um terceiro caso do vírus foi confirmado. O doente é uma mulher, 24 anos, estável em casa, na Ilha Terceira.
Quarenta pessoas estão em quarentena na ilha de São Jorge. Isto é devido ao caso confirmado anteriormente na ilha. Mais pessoas provavelmente entrarão em quarentena aqui nos próximos dias.
A Linha de Saúde dos Açores era graça a partir de hoje. A Linha de Saúde dos Açores recebe entre 700 e 800 chamadas diárias.
A SATA e a Air Azores suspendem todos os voos nos Açores. As medidas entrarão em vigor às 1800h de hoje e demorarão até 31 de março. As evacuações de carga e médicas estão isentas.
A Atlânticoline suspende as ligações de passageiros e veículos entre as ilhas. Transportes de carga e médicos são isentos.
O Governo Regional anunciou apoio financeiro a empresas nos Açores. Esse apoio tentará minimizar as conseqüências dessa pandemia na economia da Região e na manutenção do emprego e da renda dos trabalhadores.
Os patrões da Sotagus acusam os estivadores de Lisboa de uma greve ilegal durante um estado de emergência. O "bloqueio" significa que dois barcos destinados aos Açores continuarão no porto de Lisboa.
A pesca e as exportações de peixe dos Açores diminuem 80%. Os navios de pesca açorianos estão restritos a atracar e descarregar apenas em suas ilhas de origem. A pesca açoriana “se limitará a pescar as espécies que são consumidas no nível regional”, que são de valor “muito mais baixo”.
Rumores
A mulher que é o segundo caso confirmado de coronavírus no Faial foi retirada de um voo para Flores, com parada no Faial. 30 pessoas desembarcaram no Faial e voltaram para casa, enquanto 12 florentinos estavam presos na ilha. Eles não foram colocados em quarentena forçada, mas se auto-isolam em um hotel, aguardando os resultados dos testes. Eles não receberam nenhuma assistência financeira para pagar por sua estadia inesperada no hotel.
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2019.11.08 11:09 altovaliriano Teoria Blackfyre

Link: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/156odh/spoilers_all_complete_analysis_of_the_blackfyre/
Autor: Galanix, moderador do asoiaf, em parceria com diversos usuários
Título original: Complete Analysis of the Blackfyre Theory

Nenhuma das informações abaixo é nova. Estou apenas reafirmando as informações coletadas de várias fontes. Se houver algum argumento que eu tenha perdido, eu os adicionarei aqui.

A TEORIA

Aegon (Jovem Griff) não é realmente o bebê de Rhaegar Targaryen e Elia Martell, mas um impostor Blackfyre que Varys e Illyrio Mopatis estão alegando ser um verdadeiro Targaryen. Ele é descendente da linhagem feminina dos Blackfyre (todos os homens foram mortos). Uma variação desta teoria é que Aegon seria filho de Illyrio com sua falecida esposa Serra, que pode ter sido uma Blackfyre. Alguns acham que Varys também pode ter sangue Blackfyre.

ARGUMENTOS A FAVOR

VISÃO DO DRAGÃO DE PANTOMIMEIRO
Uma das visões de Dany na Casa dos Imortais:
“Brilhando como o pôr do sol, uma espada vermelha foi erguida na mão de um rei de olhos azuis que não projetava sombra. Um dragão de pano oscilou em mastros por cima de uma multidão exultante. De uma torre fumegante, um grande animal de pedra levantou voo, exalando fogo de sombras. … Mãe de dragões, matadora de mentiras…”
(ACOK, Daenerys IV)
Dany depois discute a visão com Jorah:
– Um homem morto na proa de um navio, uma rosa azul, um banquete de sangue… O que significam essas coisas, Khaleesi? Falou de um dragão de pantomimeiro. O que é um dragão de pantomimeiro, diga-me?
– Um dragão de pano montado em varas – Dany explicou. – Os pantomimeiros usam-nos em seus espetáculos, para dar aos heróis algo com que lutar.
(ACOK, Daenerys V)
Um "dragão de pantomimeiro" ou dragão falso pode ser uma metáfora para Aegon ser um Blackfyre, e não um dragão verdadeiro (ou seja, um Targaryen). A frase "matadora de mentiras" pode indicar que Aegon é uma das mentiras que Dany pode precisar matar. Outra maneira de interpretar isso é dizer que Varys é o pantomimeiro e Aegon é o dragão de pano que ele está sustentando. Varys é referido como um pantomimeiro em várias ocasiões.
A COMPANHIA DOURADA
Illyrio e Tyrion discutem a quebra do contrato da Companhia Dourada:
– Soube que a Companhia Dourada estava sob contrato de uma das Cidades Livres.
– Myr. – Illyrio sorriu. – Contratos podem ser rompidos.
– Queijo dá mais dinheiro do que eu imaginava – Tyrion disse. – Como conseguiu isso?
O Magíster balançou os dedos gordos.
– Alguns contratos são selados com tinta, outros com sangue. Não direi mais nada.
\Tyrion conta uma história da Companhia Dourada e do passado Blackfyre**
– Admiro seu poder de persuasão – Tyrion falou para Illyrio. – Como você convenceu a Companhia Dourada a aceitar a causa de sua doce rainha, quando eles passaram muito de sua história lutando contra os Targaryen?
Illyrio afastou a objeção como se fosse uma mosca.
– Negro ou vermelho, um dragão ainda é um dragão. Quando Maelys, o Monstruoso, morreu no Passopedra, foi o fim da linhagem masculina da Casa Blackfyre. – O queijeiro sorriu através da barba bifurcada. – E Daenerys dará para eles o que Açoamargo e os Blackfyre nunca puderam dar. Ela vai levá-los para casa.
(ADWD, Tyrion I)
Essa citação é a melhor evidência para a teoria Blackfyre e oferece muitas informações. A Companhia Dourada foi originalmente fundada por Açoamargo (meio-irmão de Daemon Blackfyre e seu aliado mais próximo), e sua missão original era colocar um Blackfyre no trono. Mesmo depois que Daemon foi morto na primeira rebelião Blackfyre, Açoamargo tentou várias vezes sentar um dos herdeiros de Daemon no trono até a morte do último herdeiro masculino.
A Companhia Dourada nunca quebrou um contrato, mas se isso significa cumprir sua missão original, isso faz sentido. Enquanto o contrato quebrado de Myr foi escrito em "tinta", a missão de restaurar um Blackfyre no trono foi escrita em "sangue". Isso também tem respaldo no lema da Companhia Dourada: "Sob o ouro, o aço amargo".
A justificativa de Illyrio para a quebra do contrato Companhia Dourada é que "negro ou vermelho, um dragão ainda é um dragão". Significando que eles não se importam se é um Targaryen ou Blackfyre que eles estão apoiando neste momento, desde que ele os leve a Westeros. No entanto, isso parece contradizer uma lembrança que Dany tem:
Certa vez, seu irmão Viserys oferecera um banquete para os capitães da Companhia Dourada, na esperança de que pudessem apoiar sua causa. Eles comeram sua comida, ouviram seus apelos e riram dele.
(ADWD, Daenerys III)
Parece que eles recusaram Viserys, um dragão vermelho, então talvez ainda se importem. Myles 'Coração Negro' Toyne (ex-capitão da Companhia) é quem fez o contrato com Illyrio em segredo, e dada a briga sangrenta dos Toynes com os Targaryen, não faria sentido para ele fazer esse contrato para apoiar um Targaryen.
ILLYRIO & SERRA
Outro detalhe interessante de Illyrio na citação acima é ele dizendo especificamente que a linha masculina Blackfyre foi extinta. Isso parece indicar que uma linha feminina sobreviveu. Essa fêmea poderia ter sido a falecida esposa de Illyrio, Serra. Aqui está o que ele diz sobre ela:
Illyrio enfiou a mão direita na manga esquerda e tirou um medalhão de prata. Dentro havia uma pintura de uma mulher com grandes olhos azuis e cabelos de pálido ouro mesclado com prata.
– Serra. Encontrei-a em uma casa de travesseiros lisena e a trouxe para casa, para aquecer minha cama, mas no final me casei com ela. Eu, cuja primeira esposa havia sido prima do Príncipe de Pentos. Os portões do palácio se fecharam para mim depois disso, mas não me importei. Era um preço pequeno por Serra.”
[...]
– Boa sorte! – Illyrio gritou atrás deles. – Diga ao garoto que sinto não estar presente no casamento dele. Vejo vocês de novo em Westeros. Juro pelas mãos da minha doce Serra.
(ADWD, Tyrion II)
Sabemos daí que Serra tinha traços valirianos, olhos azuis e cabelos loiros prateados (embora seja notório que muitas pessoas em Lys têm características valirianas, pois fazia parte do Domínio Valiriano). Além disso, os olhos púrpura são uma característica mais Targaryen do que os azuis. Na última linha, vemos que Illyrio tem uma participação muito pessoal no sucesso de Aegon e fala com muito carinho do garoto. É possível que Aegon seja filho de Illyrio e de Serra (Serra sendo uma Blackfyre).
Isso explicaria por que Illyrio tinha em casa um baú cheio de roupas destinadas a um menino pequeno. Também ajudaria a explicar por que Illyrio está interessado em Westeros. Ele tem todo o dinheiro que ele poderia precisar e Tyrion parece cético em relação às motivações de Illyrio:
– E você tem certeza de que Daenerys vai cumprir as promessas do irmão?
– Pode ser que sim, pode ser que não – Illyrio mordeu metade do ovo. – Eu lhe disse, meu pequeno amigo, nem tudo o que um homem faz é por lucro. Acredite se quiser, mas mesmo velhos gordos tolos como eu têm amigos e dívidas de afeto para pagar.
Mentiroso, pensou Tyrion. Algo nesse empreendimento vale mais para você do que moedas ou castelos.
(ADWD, Tyrion II)
Então, o que é essa "dívida de afeto" que Illyrio procura retribuir que vale mais que "moedas" e "castelos"? Ele pode estar tentando cumprir o desejo de Serra de ver seu filho assumir o Trono de Ferro em nome dos Blackfyres. Ainda que tudo isso se encaixe, é bastante circunstancial.
Outra evidência que indica que Illyrio é o pai de Aegon é uma estátua que ele tem em sua mansão que se parece muito com Aegon (Illyrio mais tarde afirma que é uma versão jovem de si mesmo):
Um rapaz nu estava na água, pronto para um duelo, com uma lâmina bravosi na mão. Era flexível e bonito, com não mais do que dezesseis anos e um cabelo loiro liso que lhe caía sobre os ombros. Parecia tão real que levou um longo tempo até que o anão percebesse que era de mármore pintado, embora a espada brilhasse como aço de verdade.
(ADWD, Tyrion I)
A HISTÓRIA DO SEPTÃO MERIBALD
Septão Meribald conta a Brienne e Pod a história da Estalagem da Encruzilhada:
Ele forjou um novo sinal para o pátio, um dragão de três cabeças em ferro negro que pendurou em um poste de madeira. O animal era tão grande que teve de ser feito em uma dúzia de peças, unidas com corda e arame. Quando o vento soprava, tinia e ressoava, de modo que a estalagem se tornou conhecida por todo lado como o Dragão Ressonante.
– O sinal do dragão ainda está lá? – Podrick quis saber também.
– Não – Septão Meribald respondeu. – Quando o filho do ferreiro era já um velho, um filho bastardo do quarto Aegon ergueu-se em rebelião contra seu irmão legítimo e escolheu como símbolo um dragão negro. Estas terras pertenciam então a Lorde Darry, e sua senhoria era ferozmente leal ao rei. Ver o dragão de ferro negro o deixou furioso, e por isso derrubou o poste, fez o sinal em pedaços e os atirou ao rio. Uma das cabeças do dragão foi dar à costa na Ilha Quieta muitos anos mais tarde, embora nessa época estivesse vermelha de ferrugem.
(AFFC, Brienne VII)
Esta história poderia ser uma alegoria para Aegon ser um Blackfyre. Um dragão negro representa Blackfyre e um dragão vermelho é um Targaryen. Então os dragões negros (Blackfyres) foram forçados a atravessar o Mar Estreito e muitos anos depois um deles (Aegon) enferrujou e agora aparenta ser um dragão vermelho (Targaryen).
VARYS É UM BLACKFYRE
Varys ser um Blackfyre é a parte mais especulativa da teoria e não precisa ser verdadeira para as outras partes sejam verdadeiras. A evidência disso é inteiramente circunstancial, mas explica algumas incoerências no caráter de Varys.
Por que, apesar de afirmar ser um lealista Targaryen, ele estava alimentando a paranóia de Aerys sobre Rhaegar usurpar o trono (de acordo com relatos de Barristan e Jaime)? Por que ele raspa a cabeça? Para poder esconder seus cabelos valirianos (embora o mesmo seja verdade se ele for de alguma descendência valiriana, Blackfyre ou não)?
Além disso, por que Varys foi castrado quando menino? Ele diz a Tyrion o seguinte sobre sua castração:
Um dia, em Myr, um certo homem foi ao nosso espetáculo. Quando terminou, fez uma oferta por mim que meu mestre achou tentadora demais para recusar. Fiquei aterrorizado. Temi que o homem pretendesse me usar como ouvira dizer que os homens usavam garotinhos, mas, na verdade, a única parte de mim que ele queria era meu órgão viril. Deu-me uma poção que me deixou incapaz de me movimentar ou de falar, mas nada fez para adormecer meus sentidos. Com uma longa lâmina em forma de gancho cortou-me raiz e caule, sem parar de entoar cânticos. Vi-o queimar meus órgãos masculinos num braseiro. As chamas ficaram azuis, e ouvi uma voz responder ao seu chamado, embora não compreendesse as palavras que foram ditas.
(ACOK, Tyrion X)
Sabemos pelas práticas de Melisandre que os feiticeiros preferem usar sangue real em seus rituais. Se Varys fosse um Blackfyre, ele teria sangue real.
DUNK & EGG
Uma grande parte das novelas Dunk & Egg cobre a história das Rebeliões Blackfyre. Isso pode indicar um significado maior para os Blackfyres em ASoIaF como um todo. É claro que também poderia ser apenas uma justificativa para as novelas de D&E e não ter qualquer outro significado.
AEGON TER SIDO SALVO NÃO FAZ SENTIDO
Como Varys saberia que Gregor esmagaria o rosto do bebê Aegon de modo a deixa-lo irreconhecível? É improvável que isso possa ter sido planejado.
DISCREPÂNCIA DE IDADE
Aegon nasceu em 282 dC, então, quando Tyrion o conhece, ele deveria ter 18 anos. No entanto, aqui está a descrição de Jovem Griff feita por Tyrion:
Era um jovem ágil e benfeito, magro e com um escandaloso cabelo azul-escuro. O anão calculou sua idade entre quinze, dezesseis anos, ou algo próximo a isso. (ADWD, Tyrion III)
É claro que é muito plausível que um jovem de 18 anos possa ser confundido com um de 16, então eu não chamaria isso de uma evidência forte.
RASCUNHO DE "A DANÇA DOS DRAGÕES"
Os rascunhos anteriores dos capítulos de ADWD têm outras pistas. Especula-se que Martin tenha feito muitos cortes nesse material, porque tornou o parentesco de Aegon muito óbvio.
De uma leitura de Tyrion II em 2005:
"Illyrio diz que quer dar a Jovem Griff suas bênçãos e tem um presente para ele no baú. Haldon diz a ele que a liteira não conseguirá chegar a tempo. Illyrio fica bravo e diz que há coisas que Griff deve saber.
[...]
Haldon olha para Tyrion e então começa a falar em outro idioma. Tyrion não sabe dizer o que é, mas acha que deve ser em volantino. Ele capta algumas palavras que se aproximam do Alto Valiriano. As palavras que ele captura são: rainha, dragão e espada."
Especula-se que Illyrio queria dar Fogonegro (Blackfyre) a Jovem Griff, a espada ancestral da Casa Targaryen que foi levada para o outro lado do mar pelos Blackfyres.
De Elio [Garcia], que analisou os rascunhos primitivos do ADWD:
"Um rascunho anterior do capítulo da "lição" tinha um pouco mais de detalhes sobre Maelys o Monstruoso, e os Blackfyres (para aqueles que possuem o RPG da Guardians of the Order, algumas dessas informações acabaram naquele livro). Eu me pergunto por que George decidiu fazer retirar isso deste livro".
[Nota de u/altovaliriano: Eu verifiquei o livro do RPG da Guardians of the Order e as informações são as mesmas que constam em O Mundo de Gelo e Fogo. Como a fala de Elio é de 2011, ele deve ter conhecido a razão mais tarde, enquanto escrevia O Mundo de Gelo e Fogo a seis mãos com Linda e GRRM]

ARGUMENTOS CONTRA

NENHUMA PROVA!
Um grande argumento contra toda essa teoria é que todas as evidências são basicamente circunstanciais. Isso não quer dizer que as evidências circunstanciais sejam inválidas (especialmente em um livro), mas apenas que ainda não houve nada flagrante ainda.
CONVERSA DE VARYS COM KEVAN
Isto é o que Varys diz ao moribundo Kevan Lannister:
– Aegon? – Por um momento, ele não entendeu. Então se lembrou. Um bebê envolto em um manto carmesim, o tecido manchado com o sangue e o cérebro dele. – Morto. Ele está morto.
– Não. – A voz do eunuco pareceu mais profunda. – Ele está aqui. Aegon tem sido moldado para governar desde antes que pudesse andar. Foi treinado em armas, como convém a um cavaleiro, mas esse não foi o fim de sua educação. Ele lê e escreve, fala diversas línguas, estudou história, leis e poesia. Uma septã o instruiu nos mistérios da Fé desde que teve idade suficiente para entendê-los. Viveu com pescadores, trabalhou com as próprias mãos, nadou em rios, remendou redes e aprendeu a lavar as próprias roupas na necessidade. Ele consegue pescar, cozinhar e curar uma ferida, sabe como é sentir fome, ser caçado, sentir medo. Tommen tem sido ensinado que a realeza é o direito dele. Aegon sabe que a realeza é seu dever, que um rei deve colocar seu povo em primeiro lugar, e viver e governar para eles.
(ADWD, Epílogo)
Varys responde diretamente à pergunta de Kevan sobre Aegon estar morto e diz que não está. Por que Varys mentiria sobre Aegon para Kevan, quem ele estava prestes a matar de qualquer maneira?
É improvável que, se Aegon fosse um Blackfyre, Varys não soubesse disso, pois ele provavelmente foi quem contrabandeou o bebê Aegon de Porto Real (ou não), então ele provavelmente sabe se Aegon é realmente Aegon.
Então, por que mentir para um homem moribundo sobre isso? Algumas possíveis respostas seriam:
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2019.08.09 01:58 unstextosaleatorios Os cumpade

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2019.04.25 16:49 euamocachorros79 Eu não tenho ressacas, mas meu amigo tem segredos

Saímos do balcão, e Pedro escolheu se afastar da nossa mesa preferida, perto do palco. Procurando uma das mesas mais recolhidas, apontou para um dos cantos do pub e lá pedimos mais bebidas. Minto, eu pedi mais um chope artesanal e uma dose de Jack, Pedro não quis nada. O que não deixava de ser estranho, pois estávamos ali para beber. Mas, naquele momento, ele preferia falar.
Antes de repetir aqui as palavras de Pedro, preciso esclarecer alguns pontos sobre […]. Apesar de sermos uma comunidade pequena, não mais que vinte mil habitantes, a cidade de […] possui extensão territorial bastante grande. O que permite que os bairros e vilas tenham se formado separadamente, de um jeito bem peculiar, alheio aos agrupamentos urbanos comuns. Ou seja, temos quatro núcleos urbanos bem distintos, atravessados por uma estrada velha e por uma rodovia com bastante movimento de caminhões, utilizada para escoar a produção agrícola da região. Imagine uma vagem com apenas quatro grãos. E depois, temos toda a zona rural, com estradas vicinais num emaranhado que lembra uma rede neural. Os fatos que meu amigo narrou se passam em uma dessas estradinhas de chão batido, quando ele era adolescente.
- Joel, tu tem certeza do que viu naquela manhã? Ele disse, falando meu nome com uma ênfase estranha.
- Bah! Pensei que tu não quisesse conversar sobre isso. Mas, sim. Eu sei bem o que vi. Não estava alucinando ou sob efeito de qualquer substância.
- Não estou brincando, Joel. E tu também não deveria brincar se realmente avistou o que eu penso que viu.
A adrenalina percorreu meu corpo tão rápido, em forma de medo e ansiedade, que a sobriedade chutou a porta formada por relâmpagos de álcool. Instintivamente calei e prestei atenção às suas palavras.
- Isso aconteceu há muito tempo, quando eu recém tinha saído das fraldas. Os tempos eram outros, e fora do horário da escola, eu podia sair e voltar a hora que bem entendesse, sem receios ou grandes preocupações. Meus pais somente diziam para eu voltar antes de escurecer. Única regra. De resto, eles confiavam no meu bom senso. Ou nas lições que a vida ensina. E ela ensina muitas. Pois bem, naquela época meu melhor amigo era o Polaco, que Deus o tenha. Ele era um ano mais velho que eu e gostava de tudo relacionado à vida no campo, desde a lida com os animais até o cultivo das plantas e alimentos. Aprendi a pescar com ele, num riacho que hoje não existe mais, canalizado e transformado em esgoto da nossa cidade. O Polaco era uma dessas pessoas especiais, capazes de saber tanto do tempo de cura em uma peça de embutido quanto de qual nó a ser utilizado em qual situação. Ele amava acampar. Ter o céu estrelado como cobertor o fazia feliz. Pois bem, quando eu tinha treze anos, pedi a permissão de meus pais para acampar com o Polaco. A filha do capataz da fazenda de um tio dele casaria e nós fomos convidados para a festa. Iríamos caminhando até a fazenda e aproveitaríamos o trajeto longo entre nossa cidade e a fazenda para acamparmos. Meus pais certificaram-se do trajeto que faríamos, e autorizaram nossa aventura. Desde que, chegada a noite, nós nos recolhêssemos em segurança. E assim, no meio da tarde da véspera do casamento, estávamos os dois com mochilas recheadas de lanches, gibis e roupas, sacos de dormir e uma barraca. Partimos do centro da cidade, tomando o que hoje é conhecida como estrada velha. Após duas horas de caminhada, tomamos uma das estradas vicinais que menos tem bifurcações, em direção à fazenda, aquela que corre junto do rio […]. Depois de mais algum tempo o sol aproximou-se rapidamente do horizonte e resolvemos acampar. Polaco começou a montar a barraca e eu fui encarregado de buscar água no rio para aquecer junto à fogueira que ele fez em minutos. Ele teve cuidado de escolher o melhor local possível para nosso abrigo, uma área levemente inclinada, e assim que a barraca estava pronta, começou a revolver a terra formando um pequeno fosso em volta dela. Vendo minha cara de surpresa, ao voltar com a água, explicou que aquilo servia para escoar a chuva. Apesar de não ver nenhuma nuvem no céu, respeitei sua experiência. Ele parecia saber o que estava fazendo.
- Eu preciso mijar. Falei, levantando um dedo num pedido atrapalhado de pausa na história.
Minhas pernas estavam leves, mas meus passos foram certeiros até o banheiro. Depois de me aliviar, ao lavar as mãos, pude reavaliar meu estado de falsa sobriedade. Por fim, avaliei que estava bem o suficiente para ouvir e não esquecer nada do que Pedro dizia e retornei à mesa. Pedro não estava lá. O Bodega ainda estava com pouco movimento, e pude ver uma agitação perto da saída. Ele estava discutindo, tentando manter a voz calma, mas falhando miseravelmente, com alguém que eu não conseguia ver por estar do lado de fora. Chamei-o mais alto do que devia, pois assim que falei seu nome, várias cabeças olharam para mim. Menos Pedro, que saiu do pub num passo apressado.
Paguei a conta e, constrangido, procurei por ele na rua. Nem sinal. Tentei ligar para o celular dele e caiu direto na caixa postal. Preferi não ligar para a casa dele, para não assustar sua esposa. Enviei algumas mensagens por aplicativo e resolvi esperar até o dia seguinte, onde nos veríamos no escritório. Eu queria entender o que aquela história de infância tinha a ver com minha situação. E também saber quem o tinha deixado tão irritado a ponto de sair sem se despedir.
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2019.03.16 02:00 Heidegger12 Filmes baseados em livros que vocês não gostaram?

O conde de monte cristo de 2002 (as versões não americanas conseguem serem boas em sua maioria)
O filme não consegue mostrar o lado mais sombrio e sádico. Se o conde não fosse tão diabólico, ele provavelmente nunca faria um esquema de vingança que deveria ter levado os nove anos inteiros entre sua fuga e chegada ao Carnaval de Roma para planejar. Ele comprava uma casa, se aposentava em Florença, morava em uma confortável mansão, comprava um barco velho e ia pescar charter todos os dias. Sem o lado laod sombro, ele perdoaria seus inimigos e viveria sua vida em paz e luxo. Essa mudança de personagem é uma falha no roteiro. Os roteiristas escreveram os eventos que saíram do planejamento sádico do conde e o prazer que o conde recebe ao ver as pessoas sofrerem como ele sofria. Sem todas as facetas do personagem do Conde, a história perde algum impacto, já que não conseguimos ver como a vingança o muda para pior. Ele também perde algum apelo: ele é um cara legal genérico e é isso. Ele não tem essa veia vil que o torna atraente e aterrador. E a medida que sua vingança afeta pessoas inocentes, ele começa a se arrepender de ter se vingado.
Além de um romance mega forçado de um amor que ele não encontra faz muitos anos. Pessoas e sentimentos mudam, depois de tanto tempo separados, os sentimentos deles mudaram.
À volta ao mundo em 80 dias de 2004
Transformaram Phileas Fogg em um idiota completo, fazer adaptações acontece, mas mudar a personalidade do protagonista para pior foi um lixo. Destruiu a obra completamente.
Drácula de 1992
Transformando Drácula de um preador em um herói romântico e mina em vez de uma garota racional, um Sherlock Holmes de saias em uma heroína trágica fez desse filme uma versão pré-crepúsculo. Drácula não é um herói romântico trágico, mas um predador que busca sobreviver. Mina é uma garota racional para se apaixonar por um cara como Drácula, ela desaprovaria seus métodos e o que ele fez com sua amiga.
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2019.01.04 23:43 Alfre-douh Início

Queria ter-te para sempre amigo. Queria porque a minha fraqueza é parte daquilo que investi em ti. E aquilo que começo agora é aquilo que perdi em derrota quando deixaste a vida. Há quem imagine estrelinhas na puta do céu ou projete a memória numa árvore ou elemento qualquer de particular beleza. Rio-me só de pensar o quanto me ias mandar para o caralho se fizesse algo parecido. Sempre tiveste o humor e causticidade que eu desejava para mim. Invejava-te, confesso que invejava. E agora que te sei assim, com as minhocas a comerem-te, não sei o que fazer com essa inveja. O melhor que consigo é mesmo dizer-te, em sussurro para tu só perceberes metade, que quando for a minha vez, vou preferir ser a merda da estrelinha que no fundo é um satélite, do que comidinha de isco da pesca.
A própria percepção do que acontece na nossa vida é efémera, foda-se. É algo que só existe quando precisamos de tempo e não temos. Quando precisamos de espaço e ele não existe. Mas mais do que precisar de ti e da clarividência que me trazias com o pires de tremoços. Preciso de te perpetuar. Perpetuar-te em toda a tua infinidade. Não eras só aquilo que eu precisava, eras aquilo que eu não era quando assim se revelava necessário.
Conheço-te. Sei o que eras, sei o suficiente. Vai ser duro continuar o que começaste porque aquilo que te conheço é apenas uma parte daquilo que davas a perceber. Deixas o melhor que sabias ser: original. Emular-te vai ser isto, uma conversa contigo. Aquilo que eu não souber ser serás tu. A minha emoção, o meu amor, a minha empatia serás tu. O tabaco será por minha conta, o meu corpo por destruir também. A minha alma será nossa, porque é mesmo assim que te sinto amigo, uma parte indivisivel de mim. E sei, porque agora o sinto, ou melhor, percepciono, que viverei por mim aquilo que tu não conseguiste.
Lembras-te daquela vez... Ó foda-se! Deixa-me ser um chorão à vontade!... Lembras-te daquela vez em que estava podre da bebado e deixei cair um cigarro para uma poça de água, à porta de casa. Acho que foi aí que tudo isto ficou delineado para acontecer. A memória ficou edificada como inigualável e daí se tornou perene ao tempo, tornando-se cada vez mais viçosa e cristalina, e invariavelmente criando tudo isto. Só de me lembrar que foste a casa e voltaste com uma cana de pesca e me deste a cana para a mão para eu pescar o cigarro...A piada eterna ficou feita! "Já não pescas nada, é mesmo melhor ficares-te pela cadelinha" disseste com um riso banal e absurdo. Eras realmente um génio...
Devo-te mais do que algum dia vou poder pagar. É claro que estou triste e enraivecido. Claro que estou. Estarei sempre até que o último cigarro me apague. E só aí tu deixarás realmente de existir. Não esperes outra coisa que não seja esta reação...quanto de nós não é no fundo uma reação a qualquer coisa.
Até logo...eu vou-te dando notícias.
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2018.09.19 03:30 mayquel Filhos

Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador! Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas. As estatísticas: -1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental; -um aumento de 43% no TDAH foi observado; -um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado; -um aumento de 100% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos. O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado? As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como: -pais emocionalmente disponíveis; -limites claramente definidos; -responsabilidades; -nutrição equilibrada e sono adequado; -movimento em geral, mas especialmente ao ar livre; -jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio. Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com: – pais digitalmente distraídos; – pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem quem estabeleça as regras; – um sentido de direito, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por obtê-lo; – sono inadequado e nutrição desequilibrada; – um estilo de vida sedentário; – estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.
O que fazer? Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível! Muitas famílias veem melhorias imediatas após semanas de implementar as seguintes recomendações: – Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme. – Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam. – Fornecer alimentos nutritivos e limitar a comida lixo. – Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos. – Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-lo. – Jogue jogos de tabuleiro como uma família ou, se as crianças são muito jovens para os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo. – Envolva seus filhos em trabalhos de casa ou tarefas de acordo com sua idade (dobrar a roupa, arrumar brinquedos, dependurar roupas, colocar a mesa, alimentação do cachorro etc.). – Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o suficiente. Os horários serão ainda mais importantes para crianças em idade escolar. – Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente contra qualquer frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida. – Não carregue a mochila dos seus filhos, não lhes leve a tarefa que esqueceram, não descasque as bananas ou descasque as laranjas se puderem fazê-lo por conta própria (4-5 anos). Em vez de dar-lhes o peixe, ensine-os a pescar. – Ensine-os a esperar e atrasar a gratificação. Fornecer oportunidades para o “tédio”, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas. – Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade. – Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”. – Ajude-os a criar uma “garrafa de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas. – Estar emocionalmente disponível para se conectar com crianças e ensinar-lhes autorregulação e habilidades sociais. – Desligue os telefones à noite quando as crianças têm que ir para a cama para evitar a distração digital. – Torne-se um regulador ou treinador emocional de seus filhos. Ensine-os a reconhecer e gerenciar suas próprias frustrações e raiva. – Ensine-os a dizer “olá”, a se revezar, a compartilhar sem se esgotar de nada, a agradecer e agradecer, reconhecer o erro e pedir desculpas (não forçar), ser um modelo de todos esses valores. – Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas.
Extraído de um grupo do telegram
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2017.03.05 21:46 quiteawhile A Casa - Parte 1

A pequena Vic sonhava com a região onde tinha acabado de se mudar com sua mãe. Sentia o vento frio vindo das montanhas, o sutil movimento das águas do lago e o rangido seco das árvores no fundo da solitária Casa.
No sonho Vic não era uma garotinha com medo dos ruídos que as antigas tábuas de madeira faziam e da ainda estranha paisagem que a cercava. Não, enquanto sonhava Vic era a própria Casa, as tábuas eram parte dela e o vale um antigo conhecido.
No sonho ela conseguia sentir alguém apreensivo no quarto de baixo, a respiração cortada e a inquietação da mãe. Com cuidado Vic gentilmente direcionou a brisa das montanhas que tocava suas paredes até o quarto da mãe, esperando ser o suficiente para tranquilizar seu sono.
Às vezes, quando Vic era a Casa, ela conseguia fazer algumas dessas coisas. Coisas pequenas, como trancar a porta que a mãe tinha esquecido aberta ou silenciar uma torneira que pingava durante a madrugada.
Quando fazia essas coisas ela se lembrava de ser a Casa em outros tempos, com outras pessoas dentro de sí. Dessa vez ela recordou de uma família que morou entre suas paredes no começo, quando a casa era algo diferente.
Nessa época a Casa sentia a presença dos seus moradores como o já comum estalar das tábuas em noites frias, apenas um plano de fundo que não recebe muita atenção. Mas um som diferente atravessou seus corredores e a Casa sentiu sua atenção sendo concentrada pela curiosidade, pela lembrança que aquele toque úmido trazia.
Tentando controlar os soluços e limpar as lágrimas antes dos leves passos subindo a escada chegarem à porta do quarto, Mônica apertou o dedo para estancar o sangue. O pequeno corte tinha sido só o estopim, claro, o problema real era a preocupação com Joe, seu marido, que tinha sido obrigado a ir para a guerra e deixou a família para trás nessa casa que parecia cada vez mais vazia.
Alguns meses atrás eles receberam essa casa como herança de um parente distante que Joe sequer conhecia e decidiram se mudar para lá e tentar uma vida nova no vale. Quando foi recrutado eles tinham acabado os trabalhos iniciais na horta, e antes de viajar ele garantiu que as armadilhas tinham sido colocadas na floresta, então não faltaria comida.
Mônica se preocupava com Joe, sabia que a na guerra qualquer coisa poderia acontecer e então teria que criar Dave sozinha, nesse lugar estranho, sem o homem que amava.
”Mãe, o que foi?” disse o pequeno Dave, fazendo esforço para abrir a porta emperrada do quarto
“Não foi nada, querido, a mamãe se machucou tentando consertar esse anzol que eu achei, foi só isso”
Com os olhos arregalados de apreensão o garotinho se aproximou e segurou a mão da mãe entre suas pequenas palmas. “Foi aqui?” disse, sua voz já soando distante para a Casa, e tocou seus lábios cuidadosamente. “Pronto, mamãe, agora vai sarar”, e com um sorriso surgindo no seu rosto perguntou “Quando vamos pescar, mamãe?”
Algum tempo depois, no silêncio da madrugada, a Casa lembrou como se saindo de um sonho do som surdo das lágrimas caindo no seu assoalho. Do grito de dor que a mãe parecia conter dentro de sí. E então a casa decidiu que queria mais.
NA: E aí, pessoal, tudo bem? Como essa é a primeira história que eu publico aqui ou em qualquer outro lugar (antes só mostrava pra amigos), vou contar um pouquinho de mim :) Sempre gostei de ler, principalmente fantasia e sci-fi, mas por algum motivo sempre pensei que escrever não era pra mim. Pensava que ninguém ia querer ler, que tem muito mais gente por aí que com certeza escreve melhor do que eu e que era melhor usar meu tempo pra coisas mais produtivas.
Meh pra coisas produtivas, desde que decidi que ia escrever histórias e que essas historinhas curtas eram a melhor coisa pra quem tava começando minha cabeça não para de pipocar com idéias legais. E uma coisa que eu nunca tinha parado pra pensar é como é legal não só escrever mas pensar sobre essas coisas, mas aí acho que perdi um pouco o controle e acabei começando várias histórias de uma vez sem terminar quase nenhuma hahahah esse post é uma tentativa de usar feedback pra me estimular a terminar as outras. Sejam muito bem vindos a criticar mas venho encarecidamente pedir aos que gostarem (e quiserem ler o resto) da história que me digam, meus amigos e familiares não curtem muito essas coisas e sem ter pra quem mostrar eu acabo perdendo o ritmo. Valeu pra quem leu até aqui :)
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2016.07.31 00:32 o_humanista FLUSSER E A LIBERDADE DE PENSAR ou Flusser e uma certa geração 60.

"Nasci em Praga em 1920 e meus antepassados parecem ter habitado a “Cidade Dourada” por mais de mil anos. Sou judeu e a sentença “o ano vindouro em Jerusalém” acompanhou toda a minha mocidade. Fui educado na cultura alemã e dela participo há vários anos. Embora minha passagem por Londres em 1940 tenha sido relativamente curta, ocorreu em época de vida em que a mente se forma de modo definitivo. Engajei-me, durante a maior parte da minha vida, na tentativa de sintetizar a cultura brasileira, a partir de culturemas ocidentais, levantinos, africanos, indígenas e extremo-ocidentais (e isso continua a fascinar-me). Atualmente moro em Robion, sul da França, integrando-me no tecido de aldeia provençal cujas origens se perdem na bruma do passado".
Este é o Flusser que conheço (e aprendi a conhecer) ao longo de espaços e tempos os mais descontínuos. Figura humana impressionante, dessas que causam impressão de matriz em nossos núcleos pessoais. Mesmo não havendo empatia, no primeiro ou nos encontros subseqüentes, jamais se fica neutro. Flusser ama o desafio, o “corpo a corpo” intelectual provocando-o mesmo, quase como a um gesto iniciático. E que venham as críticas, elogiosas ou não, tanto faz! “Um marco na cultura alemã”; “Um desrespeito filosófico, de Platão a Wittgenstein”: as duas críticas diametralmente opostas lhe foram dirigidas por ocasião de um seminário em Hamburgo sobre seu livro 'Para uma filosofia da fotografia'. Flusser relata a cena com a melhor das gargalhadas – traço personalíssimo do caráter desse autêntico homo ludens, um Macunaíma judeu-tcheco-paulistano. Em sua última passagem por São Paulo, a convite da 18ª Bienal para proferir palestras, ouvi-o falar sobre seu tema atual: texto/imagem. As sentenças, destiladas pelo “rigor da razão-e-da-paixão” (como Flusser, poucos conseguem amalgamar), eram como chicotadas, querendo sacudir-nos da letargia a que nos condena uma época ruidosa; querendo incomodar, para que não se tenha a ilusão de não sermos responsáveis e que o pensar e repensar tudo não vale mais a pena. Mas aquelas sentenças queriam também abraçar, atrair novos e mais parceiros ao diálogo. Flusser sempre faz pensar. E pensar dói. Pois continua o mesmo, esse nosso amigo, escritor, filósofo, engajando-se para fazer da reflexão alimento de primeira necessidade, gesto corporal do ser, prazer erótico. Não há dúvida que, para ele, o homem total é o ser pensante.
"Participo da desconfiança em analogias que tendem rapidamente a se transformarem em metáforas, isto é, transferências de raciocínio adequado a um dado contexto para contexto inapropriado. No entanto, nada captaremos sem modelo. De modo que todo modelo deve, primeiro, procurar pescar o problema, e depois, procurar modificar-se, ou em certos casos, ser jogado fora. (...) O dever de gente como nós, é engajar-se contra a ideologização e em favor da dúvida diante do mundo, que, de fato, é complexo e não simplificável. Engajamento difícil, por certo, mas nem por isto, apolítico. Para nós, Polis é a elite decisória e não a tal massa".
A intenção que move este relato, que se quer subjetivo, é possibilitar um testemunho humano – não mais que isso – da vívida presença entre nós, geralmente incompreendida, super-sub-estimada, deste que é, por muitos, considerado “o genuíno filósofo brasileiro”-, já que falar de sua obra é tarefa que exigiria plena desenvoltura no percurso de seu controvertido pensamento. Se o faço, é certamente apoiada pelo afeto, mas sobretudo por um tipo de engajamento. Publicar Flusser, no Brasil, é questão de honestidade, simples reconhecimento do valor de suas reflexões. Mas falar sobre a pessoa de Flusser é, talvez, querer ir mais longe, penetrar floresta escura, já invadindo quem sabe espaço transpessoal.
"Aprendi o seguinte: ao nascer fui jogado em tecido que me prendeu a pessoas. Não escolhi tal tecido. Ao viver, e sobretudo ao migrar, teci eu próprio fios que me prendem a pessoas e fiz em colaboração com tais pessoas. “Criei” amores e amizades (e ódios e antagonismos); é por tais fios que sou responsável. O patriotismo é nefasto porque assume e glorifica os fios impostos e menospreza os fios criados. Por certo: os fios impostos podem ser elaborados para se tornarem criados. Mas o que importa é isto: não sou responsável por meus laços familiais ou de vizinhança, mas por meus amigos e pela mulher que amo. Quanto aos fios que prendem as pessoas, tenho duas experiências opostas. Todas as pessoas às quais fui ligado em Praga morreram. Todas. Os judeus nos campos, os tchecos na resistência, os alemães em Stalingrado. As pessoas às quais fui ligado (e continuo ligado) em São Paulo, em sua maioria, continuam vivas. Embora, pois, Praga tenha sido mais “misteriosa” que São Paulo, o nó górdio cortado foi macabramente mais fácil".
Quando o conhecemos – refiro-me a um grupo de jovens universitários dos anos 60, geração que cultivava um jeito de vivenciar intelectualmente a sua angustia e cuja ironia não havia ainda descambado para o deboche–, estávamos todos submersos no grande vazio que é a busca de sentido. Flusser, estrangeiro no mundo, apátrida por excelência, assistia a tudo, promovendo tudo. Mas entre o seu engajamento na cultura brasileira e o nosso destacar-se do pano de fundo habitual-nativo, uma sutil dialética se estabelecerá.
"Nós os migrantes, somos janelas através das quais os nativos podem ver o mundo".
Seria ele, para nós, esta janela?
"Mistério mais profundo que o da pátria geográfica é o que cerca o outro. A pátria do apátrida é o outro".
Seríamos nós, para ele, esta pátria? Nós, jovens daquela geração niilista, vivenciávamos a saga de uma época em que, após ter aplaudido o célebre protesto de estudantes na Europa, nada passava mais a ter significado. Os anos 60, se de um lado traziam marcas como a rebeldia dos Beatles, a revelação do sexo, e a partir daí, o culto ao amor livre do movimento hippie e a escalada social do bissexualismo; o fracasso da potência americana no Vietnã, onde a inteligência venceu as armas, num combate que utilizou cobras, abelhas e bambus; toda uma poesia desordenada e todo um desencanto às coisas e aos valores estabelecidos, por um lado, deixou farrapos de um derradeiro “romantismo”: desejo da mão jovem querendo reconstruir o mundo e impedida pelos velhos (como sempre foi); o olhar do mundo culto e politizado para o primeiro movimento de objetivos definidos na América, ao som do slogan “cubanos si, yankees no”; a resposta de uma “geração triste” que começava a se redimir pela música e a poesia (“Tropicália” e os “Novíssimos”, apenas para citar alguns). No campo da Filosofia, Sartre, Camus e demais existencialistas marcavam a juventude intelectual brasileira, embora a grande maioria não tivesse acesso a tudo isso. O escritor Jorge Medauar é quem diz: “O Brasil não tem linha filosófica definida porque não tem pensadores”. Nosso grupo, porém, era privilegiado: freqüentávamos a casa de Flusser. Lá se canalizavam os turbilhões, ventos e brisas do mundo filosófico, em tertúlias que se alongavam por sábados e domingos, e quantas vezes não éramos surpreendidos por Guimarães Rosa, Samson Flexor, Vicente Ferreira da Silva! Flusser foi se revelando professor, cercado por aqueles moços e moças, de modo doméstico e peripatético (embora sempre sentado em sua cadeira no jardim-de-inverno, nos fundos daquela casa, no Jardim América) envolto às fumaças de seu cachimbo inseparável. Não há como apagar os primeiros passos na filosofia ensinada, transmitida assim... Paideia construída pelo con-viver, em chão de concretude, por um “modelo” vivo de existência. Tudo isso plasmou as nossas mentes, interagindo hoje na circunstância em que vivemos. Caso clássico de influência poderosa de patriarca intelectual – não faltará quem o diga. Alguns, não suportando o peso de tamanha in-formação, hoje o renegam e se refugiam nos cantos matreiros do inconsciente, omitindo-se ao confronto. Não lembraria Flusser, em certo aspecto, a personalidade de Freud? Como ele – subversivo, judeu, emigrado – também não foi aceito pelo establishment acadêmico, criando afetos, desafetos e uma fieira de pupilos dolorosamente estigmatizados. Ao longo dos trinta e um anos em que viveu na circunstancialidade brasileira, Flusser desenvolveu seu modo de pensar com um vigor e originalidade que cunham um de seus traços inconfundíveis – o que lhe valeu imagem mitificada, e até certo ponto, desconcertante para certos eruditos, que, tantas vezes, com ele se digladiaram. Como Nietzsche, Kierkegaard e tantos outros, Flusser não se propôs a construir um sistema filosófico. Seu pensamento é um fluir generoso que se vai tecendo fora de velhas ou modernas malhas, dentro da urdidura fundante que é a linguagem – “morada do ser”, como a nomeia Heidegger. Seu mergulho nas correntes da Fenomenologia levou-o à Filosofia da Linguagem, seu campo predileto, ao qual dedicou vários ensaios, livros e cursos. Chegou até a criar uma coluna em jornal (“Posto Zero” na Folha de São Paulo, de 1969 a 1971), onde fazia uma espécie de análise fenomenológica do cotidiano brasileiro. Quando escreve, e o faz como quem respira o ar fresco das manhãs, Flusser traduz e retraduz o mesmo texto para as línguas que domina: alemão, inglês, português, francês.
"Sinto-me abrigado por, pelo menos, quatro línguas, e isto se reflete no meu trabalho, uma das razões pelas quais me interesso pelos fenômenos da comunicação humana. Reflito sobre os abismos que separam os homens e as pontes que atravessam tais abismos, porque flutuo, eu próprio, por cima deles. De modo que a transcendência das pátrias é minha vivência concreta, meu trabalho cotidiano e o tema das reflexões às quais me dedico".
Max Planck, em sua biografia, diz que para haver uma idéia original são necessárias duas condições: que o “criador” esteja livre e que morra toda uma geração, porque apenas a seguinte poderá compreendê-la. Os contemporâneos estão comprometidos e escravizados, por isso se assustam com o novo. Eis, numa palavra, o pecado de Flusser: pensar o novo e, para tanto, estar livre. Qualquer pessoa que entra em contato com suas idéias percebe o quão ligadas estão ligadas com o que acontece à sua volta. Não se pode delimitar as bases de seu pensamento, porque ele está constantemente correlacionado a fatos, não importa de que natureza. A aguda capacidade de observar o mundo e captar a atualidade, filtrando a ambos pelos conceitos clássicos e construindo os seus próprios conceitos, tornam Vilém Flusser o pensador para a época “pós-histórica” que atravessamos. É precisamente a consonância entre observação dos fatos e sua resultante reflexão que nos dá a sensação do verdadeiro. Mas, para que tal sensação conduza à verdade, o que ainda nos falta? Aqui transcrevo pergunta feita ao psicanalista Isaías Kirschbaum, que após driblar com mestria: la reponse est la mort de la question...(que analista, afinal, não tem necessariamente de ser filósofo...) assim respondeu: “Consenso é que dá cunho de verdade”. Daí, minha indagação: teria sido o meio cultural brasileiro – e o paulistano em particular – propício à formação de um consenso ao pensamento flusseriano, consenso que, por sua vez, teria de ser o fruto maduro de exercícios de crítica responsável e consciente por parte da comunidade pensante?
"Migrar é situação criativa, mas dolorosa. Toda uma literatura trata da relação entre criatividade e sofrimento. Quem abandona a pátria (por necessidade ou decisão, e as duas são dificilmente separáveis), sofre. Porque mil fios o ligam à pátria, e quando estes são amputados, é como se intervenção cirúrgica tenha sido operada. Quando fui expulso de Praga (ou quando tomei a decisão corajosa de fugir), vivenciei o colapso do universo. É que confundi o meu intimo com o espaço lá fora. Sofri as dores dos fios amputados. Mas depois, na Londres dos primeiros anos da guerra, e com a premonição do horror dos campos, comecei a me dar conta de que tais dores não eram as de operação cirúrgica, mas de parto. Dei-me conta de que os fios cortados me tinham alimentado, e que estava sendo projetado para a liberdade. Fui tomado pela vertigem da liberdade, a qual se manifesta pela inversão da pergunta “livre de quê” em “livre para fazer o quê”. E assim somos todos os migrantes: seres tomados de vertigem".
Sei que Vilém Flusser tem algo a nos dizer. Algo para nos inquietar. Sejamos livres para ouvi-lo. E exerçamos com liberdade o direito de pensar.
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2015.07.04 16:04 marioaviladejesus Querido pastor, por Gregorio Duvivier

Querido pastor,
Aqui quem fala é Jesus. Não costumo falar assim, diretamente - mas é que você não tem entendido minhas indiretas. Imagino que já tenha ouvido falar em mim - já que se intitula cristão. Durante um tempo achei que falasse de outro Jesus - talvez do DJ que namorava a Madonna - ou de outro Cristo - aquele que embrulha prédios pra presente - já que nunca recebi um centavo do dinheiro que você coleta em meu nome (nem quero receber, muito obrigado). Às vezes parece que você não me conhece.
Caso queira me conhecer mais, saiu uma biografia bem bacana a meu respeito. Chama-se Bíblia. Já está à venda nas melhores casas do ramo. Sei que você não gosta muito de ler, então pode pular todo o Velho Testamento. Só apareço na segunda temporada.
Se você ler direitinho vai perceber, pastor-deputado, que eu sou de esquerda. Tem uma hora do livro em que isso fica bastante claro (atenção: SPOILER), quando um jovem rico quer ser meu amigo. Digo que, para se juntar a mim, ele tem que doar tudo para os pobres. "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus".
Analisando a sua conta bancária, percebo que o senhor talvez não esteja familiarizado com um camelo ou com o buraco de uma agulha. Vou esclarecer a metáfora. Um camelo é 3.000 vezes maior do que o buraco de uma agulha. Sou mais socialista que Marx, Engels e Bakunin - esse bando de esquerda-caviar. Sou da esquerda-roots, esquerda-pé-no-chão, esquerda-mujica. Distribuo pão e multiplico peixe - só depois é que ensino a pescar.
Se não quiser ler o livro, não tem problema. Basta olhar as imagens. Passei a vida descalço, pastor. Nunca fiz a barba. Eu abraçava leproso. E na época não existia álcool gel.
Fui crucificado com ladrões e disse, com todas as letras (Mateus, Lucas, todos estão de prova), que eles também iriam para o paraíso. Você acha mesmo que eu seria a favor da redução da maioridade penal?
Soube que vocês estão me esperando voltar à terra. Más notícias, pastor. Já voltei algumas vezes. Vocês é que não perceberam. Na Idade Média, voltei prostituta e cristãos me queimaram. Depois voltei negro e fui escravizado - os mesmos cristãos afirmavam que eu não tinha alma. Recentemente voltei transexual e morri espancado. Peço, por favor, que preste mais atenção à sua volta. Uma dica: olha para baixo. Agora mesmo, devo estar apanhando - de gente que segue o senhor.
Gregorio Duvivier, na FSP, 22/6/15
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